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  • Foto do escritorPedro Tânger

Mitos e Verdades sobre o Bullying

O Bullying é a forma menos sofisticada de definição social. É uma forma violenta e manipuladora de definir a posição social, feita através do controlo e da opressão psicológica de outros tidos por mais fracos.


Quando me dizem que o Bullying é um mito e é uma treta dos tempos de hoje, lembro-me dos tempos em que era normal o marido bater na mulher. A violência doméstica também é uma "treta dos tempos de hoje". Benditos tempos de hoje.


Quando eu era novo, o bullying não era muito falado. Não se dissociava a violência normal que assiste o crescimento das crianças do bullying. E, como não se sabia muito bem a diferença, mais valia não abordar o assunto.

Isto, porque é normal haver violência no desenvolvimento social das crianças. Há um chega pra lá, há uns amassos, há uns insultos. Isto não é bullying, é tensão social e é necessária para definir pontos de vista e compreender limites.


O Bullying, por seu turno, é um problema mais retorcido. Implica um massacre psicológico continuado, um chatear consistente que visa esmagar o outro pelo belo prazer de estar numa posição dominante.


Sejamos francos, já todos fizemos ou sofremos bullying. Por vezes só fizemos, por vezes só sofremos e, por vezes, aconteceram ambos em simultâneo.


Vou procurar aprofundar o tema do Bullying neste blogue e começo por partilhar uma pequena lista de mitos e verdades sobre o tema. Espero que ajude a começar a definir os contornos do problema.



  • é uma “coisa de crianças”: o bullying acontece em todas as idades e afeta todo o tipo de pessoas.

  • no meu tempo não havia “bullying”: havia, sim! E muitas pessoas sofreram disso e ficaram com traumas emocionais e psicológicos por causa disso. Não se chamava bullying mas era bullying

  • isso resolve-se com um “chega pra lá”: não, não se resolve. Se resolvesse já estaria resolvido. O bullying é complicado e precisa de uma solução cuidada e caso-a-caso

  • o bullying é coisa de rapazes: Não é. Acontece de forma praticamente idêntica entre rapazes e entre raparigas. Por vezes, o que acontece é que o bullying entre raparigas tende a ser mais verbal ou por pressão social (mal dizer, rumores, etc)

  • isso quase não acontece!: estudos mostram que 1 em cada 4 crianças é vítima de bullying (entre os 8 e os 12 anos). Acontece e não é pouco.

  • bullying é sempre físico: O bullying físico é o menos comum. Na verdade o principal tipo de bullying é verbal e social, ou seja, o bullying em que aquele que faz o bullying humilha direta ou indiretamente a pessoa que é vítima de bullying

  • Quem faz bullying é inseguro: Estudos mostram que quem faz bullying costuma ter uma autoestima e uma auto-imagem acima da média e que este fator o/a permite exercer poder sobre os demais.

  • A melhor forma de resolver o bullying é sentar os dois frente-a-frente e fazer com que um peça desculpa ao outro: esta é, provavelmente, a pior forma de resolver um problema de bullying pois humilha quem foi vítima e enerva quem o praticou, resultando em consequências pessoais e sociais piores.

  • Os professores estão atentos: infelizmente não estão pois estima-se que apenas 5% do bullying é apanhado. Os professores e cuidadores conseguem apanhar atos de agressão que, na sua maioria, não são bullying. Dada a sua natureza dissimulada, o bullying é fácil de esconder dos pais e dos professores.


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4 comentarios


rugeronia
16 ene 2022

Infelizmente conheço o tema pelo lado de dentro. As consequências tem me acompanhado ao longo da vida.

Hoje sei a causa que levou a haver esse bullying na adolescência. Tenho 61 anos. Poderia escrever um livro sobre o tema.

Agradeço ter levantado o tema. Publico estas breves palavras, pois tenho-o acompanhado e sinto-me seguro por o publicar aqui pela sua liderança

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Pedro Tânger
Pedro Tânger
19 dic 2023
Contestando a

Pois, lá está, é dramático que se tenha de passar por isso sem que ninguém se tenha apercebido. No entanto, vejo que tem muito bem noção do impacto que isso teve em si e, isso, é um passo mais perto de uma ferida sarada. Obrigado pela partilha, ajuda-me a relembrar a importância do tema e da minha vontade em contribuir para a sua solução. Um abraço!

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