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  • Foto do escritorPedro Tânger

Vistos Gold: um problema ou uma distração?

Os Vistos Gold são vistos como um dos principais causadores da falta de habitação em Lisboa e no Porto. Será verdade ou é, apenas, um bode expiatório para um problema mais profundo.


Vejamos.



Até Novembro de 22, tinham sido concedidos 11.180 vistos, 90% dos quais visaram o investimento imobiliário.


Arredondado, em 10 anos, houve 10 mil casas vendidas com vista à obtenção de vistos gold.

Agora comparemos com a venda de casas no seu todo. Só em 2022, foram vendidas mais de 168 mil casas em Portugal.



Portanto, em números muito redondos, e fazendo uma regra de 3 simples…

assumindo que em foram vendidas 150 mil casas por ano em Portugal (para fazer as contas por baixo) x 10 anos

= 1 milhão e 500 Mil imóveis transaccionados em 10 anos.



E houve 10 mil vistos gold.


É 0,67% do total de casas vendidas no mercado.



E fiz as contas por baixo, ou seja, é provavelmente menos.


No entanto, muitos destes vistos gold permitiram reabilitar casas e prédios e, sim, muitos foram usados para serem rentabilizados através do alojamento local o que, para além de inteligente, beneficiou muitas zonas de Lisboa e do Porto.


Para além disso, os vistos gold aumentaram a atratividade do mercado português para outro tipo de investimentos e capital estrangeiro.


Mas, mesmo se assim não fosse, estamos a falar de 0,6%!

Não tem expressão.

Tal como é errado chamar-lhe especulação. Não é especulação, é oferta e procura. Seria especulação se não houvesse procura para os valores pedidos.

Portanto, é inaceitável fazer acreditar os portugueses de que os vistos gold são a causa dos preços atuais.

Tal como é um atentado proibir-se a emissão de alvarás de Alojamento Local num país onde o turismo é o sustento de tanta gente e onde há um crescimento desse turismo a acontecer em tempo real.


Fico realmente decepcionado com medidas desta pequenez. Portugal merece melhor.

Contra-intuitivamente, precisamos de mais construção.

Precisamos de planeamento urbanístico e cidades que possam albergar as suas pessoas de forma sã e com futuro.

O que menos precisamos é de medidas assustadoramente limitadoras da liberdade económica do português comum. Sim, porque isto vai afetar muitas pequenas economias.


Para além disso, isto é um cartão vermelho para os investidores internacionais, muitos deles de qualidade, que pensavam em vir para Portugal. É claro que vão repensar e vão decidir pela República Checa, pela Roménia ou por qualquer outro país que esteja a ultrapassar o nosso país sem grande esforço.

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